TEXTO ESCRITO POR

SOBRE DIFERENÇA DE LINHAS DE WING CHUN.

May 5, 2014

 

Por Thomas Pinheiro

 

Outro dia vendo pela internet comentários sobre Wing Chun, fiquei pensando se deveria escrever algo sobre ter treinado sob a direção de um mestre de Wing Chun e por outros, mesmo em teoria, advindos da mesma escola do mestre Yip Man.

Francamente a técnica deveria ser a mesma, e quando falo a mesma, é a mesma. Porém quando se treina, é muito difícil saber em que ponto você chega e o que ainda pode progredir mais no aprendizado.

 

Tive quatro professores de Wing Chun, sendo que o ultimo é o mestre Thomas Lo e com quem ainda sempre recebo correções ou algum detalhe a mais. O qual me sinto honrado por ser seu discípulo.

O primeiro realmente só pôde ensinar uma coisa, força bruta e total falta de entendimento da técnica.

Ser violento não ensina a ninguém, tecnicamente era muito ruim, era apenas força bruta, não tinha aproveitamento do corpo como um todo, nem em partes. Não basta você copiar movimentos, tem que realmente saber o que significam e como treina-los. A violência gratuita em treino ou treino baseado em resistência física não te garantem aprendizado técnico. Não dá para um professor ensinar algo que ele não tenha vivido realmente.

 

Com meu segundo professor, achei que por ser chinês era fonte segura, novamente houve o problema, apenas formas e pouco entendimento sobre elas, sobre as técnicas. Não passou de seis meses. Mas ainda assim, alguma coisa começou a aparecer, pois pior do que estava anteriormente era dificil.

Ao aprender com o terceiro professor de Wing Chun, aprendi todas as formas, inúmeros exercícios com parceiro, de braço, perna, ombro, muitas aplicações.

Achei que estava me realizando com tudo o que estava recebendo, ao experienciar as técnicas com meu quarto professor, mestre Thomas Lo, mesmo percebendo semelhança na técnica, mas os detalhes na execução que faltavam, algo que eu não conseguia fazer.

Poderia ter me satisfeito com o que tinha, mas não foi o que ocorreu, achei que realmente faltava explanações técnicas, maneira de treinar, aumentar a potência de ataque, a sensibilidade.

 

Confesso ter sido uma fase difícil, pois você reaprender necessita de humildade, perseverança, empenho e repensar uma visão de algo praticado e assimilar correções depende muito se sua mente está aberta, e também se testar.Formas eu aprendi em todo meu treino só do Chum Kiu umas três variações, Mook Jong duas, e assim vai. Então quando se fala em comparar, a gente pode comparar quando tem alguma noção, quando se permanece dedicado aquela linha e estuda-se o que está aprendendo.

Comparar sequencia de forma não significa nada, mas como são feitos os movimentos, postura de corpo, etc... Sim.

Já li em fórum do exterior comentário sobre ter executado uma forma de facão ou de bastão, fiquei contente com os elogios, mas..... É bem engraçada a situação, as pessoas veem sua forma e aí comentam bem, mas não sabem dizer no que ela difere realmente, ou se ela se parece com tal falam; ah é a forma do mestre X ou Y.

O que aprendi e venho desenvolvendo a anos tem sido baseado no meu aprendizado com mestre Thomas Lo, e posso encaixa-lo em qualquer outra sequencia que até já tenha aprendido.

Porém a execução das técnicas seguem as correções que tive com mestre Lo. Além de aprender faz parte do treino testa-las, verificando seu ponto forte e porque não alguma brecha que possa dar também ou ajuste a ser considerado por diferença física do praticante, com isso você se policia a melhorar tecnicamente.

 

Ao mencionar que as técnicas vindas do Grande Mestre Yip Man deveriam ser as mesmas em qualquer escola de seus alunos, sim, deveriam, afinal os conceitos devem ser sempre os mesmos e devem aparecer na aplicação também.

As combinações variam, até os movimentos podem variar mas o sentido, a maneira de produzir no caso um bloqueio ou ataque devem ser sempre a mesma formulação.

As sequencias podem ser modificadas a gosto, mas elas podem revelar com qual intuito você treina. Um tan sau sempre será um tan sau, não importa se é alto, se é baixo , se é por dentro ou por fora, com nível maior de treino você consegue interceptar um soco com o tan sau sem ter necessidade de girar o corpo.

 

A partir do aprendizado de Chum Kiu fica muito claro a diferença ou falta de treino qualificado, um Sil Lim Tau bem treinado lhe garante formatação das técnicas, postura, de pernas e braços mas não lhe dá um potencial extra para os ataques, ou para absorção. Então se você só copia movimentos e não tem a explicação de forma mais abrangente e direcionada, você não consegue mesmo em anos de treino, incutir nas suas reações as habilidades que deveria ter ao praticar determinado nível dentro do Wing Chun.

 

Se você entrar num youtube por exemplo, você consegue assistir a inúmeras variações da mesma forma; verá a falta de coisas que possuem sentido no treinar, como a sequencia, a velocidade , o ritmo, a base, chegando a própria técnica.

Linha diferente, acredito atualmente apenas se referir a uma escola de um mestre diferente e que modificou o estilo. Porque então tantas linhas de Wing Chun?

A resposta fica fácil, numa arte em que se insinuam tantos mestres, muitas modificações haverão de ter pela baixa qualidade que se apresenta em boa parte; porque além de um mestre, na transmissão se faz de suma importância o aluno, a conexão entre ambas as partes, discipulo e mestre.

 

 

 

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